Antes e depois apartamento
- Luana Maschio

- há 2 dias
- 2 min de leitura
A casa pronta, recém-entregue, deveria ser sinônimo de aconchego. Mas, muitas vezes, o que foi projetado no papel não se traduz na experiência cotidiana de quem vive ali. Foi exatamente assim que esse projeto chegou até mim: um apartamento já finalizado, feito por profissionais capazes, mas emocionalmente distante de sua moradora.
A frase que ouvi logo na primeira conversa foi direta e sincera: “não me sinto confortável em casa.” E essa é, talvez, a queixa mais sensível que um arquiteto de interiores pode receber.
O ambiente havia sido concebido por outro profissional e executado com materiais nobres, marcenaria planejada e um bom investimento financeiro. No entanto, faltava alma. Faltava acolhimento. O espaço era correto, mas não era dela.
Quando aceitei o desafio, o pedido veio acompanhado de algumas condições: precisávamos manter o sofá existente e alguns móveis e objetos já adquiridos. A transformação, portanto, teria que acontecer sem grandes intervenções estruturais – apenas com olhar atento, sensibilidade e, claro, uma boa dose de ousadia.
Ao analisar o “antes”, era possível perceber um ambiente amplo, porém frio e excessivamente rígido. A disposição do mobiliário criava uma sensação de passagem, não de permanência. Os tons neutros predominavam sem contraste, as superfícies lisas dominavam o espaço e quase não havia camadas visuais. O resultado era um living correto, porém impessoal, com cara de showroom e não de lar.
Nossa primeira decisão foi repensar completamente o layout. Aproximamos os móveis, criamos zonas mais definidas de convivência e organizamos a circulação de forma mais fluida e intuitiva. O sofá, que antes parecia solto e pouco convidativo, ganhou novo protagonismo ao ser reposicionado e integrado a uma composição mais acolhedora.
Introduzimos texturas – muitas texturas. Almofadas com tramas naturais, mantas, tapetes, madeira em tons quentes, tecidos mais macios. Cada elemento foi escolhido para trazer conforto tátil e visual. A paleta de cores ganhou vida com toques terrosos e nuances suaves que dialogam entre si, quebrando a monotonia do bege absoluto que dominava o espaço original.
A iluminação também foi fundamental nessa transformação. Substituímos a sensação de luz uniforme e impessoal por pontos mais intimistas: luminárias de apoio, abajures, pendentes com temperatura mais quente. A luz passou a desenhar o ambiente e não apenas iluminá-lo.
Outro ponto essencial foi a criação de camadas afetivas. Incluímos objetos com significado, quadros, plantas, livros, peças decorativas que contam histórias. O ambiente deixou de ser um cenário estático para se tornar um espaço vivo, com personalidade.
O resultado final é visivelmente diferente – mas, mais importante que isso, é emocionalmente diferente. O mesmo apartamento, com praticamente os mesmos móveis principais, transformou-se em um lugar onde dá vontade de sentar, ficar, receber, relaxar.
Esse projeto reforçou algo em que acredito profundamente: design de interiores não é apenas sobre estética, é sobre sensação.
Não basta que um espaço seja bonito; ele precisa abraçar quem o habita.
Hoje, quando retorno a esse apartamento e vejo a cliente dizer que finalmente se sente em casa, tenho a certeza de que a verdadeira arquitetura acontece exatamente aí – no encontro entre espaço e emoção.
Confira imagens do antes e depois. ANTES:





DEPOIS DA NOSSA INTERVENÇÃO:












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